Joaquim Silvério dos Reis (1756-1819) é conhecido na história por trair a Inconfidência ou Conjuração Mineira (1788-1789). O movimento, uma das primeiras manifestações a favor da República no Brasil, foi liderado por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792).
Tiradentes foi denunciado às autoridades portuguesas pelo coronel Silvério dos Reis, até então seu amigo pessoal e companheiro na conjuração da Inconfidência Mineira. Ele delatou o movimento à Coroa Portuguesa em troca do perdão de suas enormes dívidas com a Fazenda Real e assim foi titular da primeira delação premiada que se tem notícia no país.
Joaquim era comandante do Regimento de Cavalaria e proprietário de minas de ouro em Minas Gerais. Nascido em Portugal e de origem popular, Silvério teria chegado ao Brasil no início de 1776, atraído por relatos da prosperidade que seus conterrâneos alcançaram na colônia americana, segundo o jornal da Unesp. Após um curto período no Rio de Janeiro, estabeleceu-se na vila de Sabará, local de referência na região de exploração de ouro de Minas Gerais.
Após a delação, ele foi recompensado pela Coroa portuguesa e chegou a fugir para Lisboa. Voltou ao Brasil em 1808 e se refugiou em São Luís (MA), onde a esposa Bernardina Quitéria de Oliveira Melo, tia de Duque de Caxias, tinha raízes. Segundo a TV Brasil, ele viveu no Maranhão por cerca de dez anos. “Foi proprietário de terras e chegou a ser o chefe das milícias aqui do Maranhão”, disse o historiador Antônio Noberto em entrevista à emissora.
Acho que, por muito tempo, as pessoas não quiseram estudar a trajetória de Joaquim Silvério para não diminuir o mito de Tiradentes. Meu esforço é reconstruir essa figura e mostrar que foi um homem que também errou e enfrentou uma série de problemas, como qualquer ser humano. Difícil dizer se ele é de fato um traidor, ou apenas um denunciante. Ele argumentava que por ser português, estava apenas defendendo os interesses de Portugal. André Rodrigues, historiador e docente na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp

