Tudo começou a mudar há uma década com as emendas impositivas, depois as do relator e por aí vai. Nem vou considerar nessa equação a deterioração do sistema político brasileiro, que é mais perceptível no dia a dia. Falemos do bastidor. Essas mudanças estruturais sobre quem, de fato, comanda o recurso público — dinheiro do seu e do meu imposto, nunca é demais lembrar — praticamente bagunçaram o meio de campo. É onde estamos hoje.
Se antes as nomeações e a própria aplicação do orçamento do país ajudavam o Executivo a construir suas maiorias, hoje isso tem bem menos peso nas decisões do Congresso. Não sou eu, um reles mortal, que digo isso; são pessoas que estudam o assunto há tempos.
Com tantos novos caminhos para fazer o dinheiro chegar direto em seus redutos eleitorais, congressistas já não precisam jogar o tempo todo no mesmo time do governo de quem se consideram base. É só analisar as dificuldades de aprovação de projetos mais autorais nos últimos anos.
Porque, querendo ou não, deputados e senadores já têm outros jeitos de vencer a partida que lhes interessa de verdade. E isso nada tem a ver com um projeto político de fins públicos, mas com projetos individuais de poder entre boa parte deles. E isso nos leva ao começo da conversa.
Hoje e pelos próximos dias, o que vai acontecer é que passaremos horas debatendo quem traiu quem. Anunciando quem foi tirado de onde, por ser a indicação de alguém que traiu alguém, quando o debate que, de fato, parece ser do interesse público, não é sobre os jogadores, menos ainda sobre os times em campo, mas sobre as regras do jogo. E quem ganha com elas. Enquanto forem como são, os interesses individuais irão se sobrepor aos coletivos. E toda semana será um novo 7 a 1.

