Representantes da construção civil levaram ao governo federal um novo pedido de ajuste no Minha Casa, Minha Vida, relata reportagem do Estadão. O pleito mira as faixas 3 e 4, onde a renda das famílias é maior, mas a composição da compra tende a ser mais sensível ao preço final do imóvel e ao custo do financiamento.
O programa já se tornou o principal motor do mercado residencial novo. Dados mostram que mais da metade dos lançamentos e das vendas do país está enquadrada no MCMV.
Duas propostas estão em discussão
As conversas ainda são iniciais e não há proposta formal fechada. Uma possibilidade é reduzir em 1 ponto percentual os juros das faixas 3 e 4. Isso levaria a taxa da faixa 3 de 8,16% para 7,16% ao ano e a da faixa 4 de 10% para 9% ao ano.
Outra alternativa seria segmentar as faixas por renda, criando taxas intermediárias. Nesse modelo, famílias mais próximas do piso da faixa 3, hoje de R$ 5 mil mensais, pagariam juros menores, enquanto as próximas ao teto, de R$ 9,6 mil, ficariam com taxa um pouco superior.
Alta de custos pressiona preço de venda
O novo pedido vem pouco depois de o governo elevar, em março, as faixas de renda e o preço máximo dos imóveis elegíveis. Para as construtoras, a rodada anterior não foi suficiente para absorver a alta recente dos materiais.
Com custos maiores, empresas passaram a reajustar preços para preservar margens, mas parte delas já percebe mais dificuldade de venda. O problema é mais agudo nas faixas 3 e 4, que não contam com o subsídio para entrada existente nas faixas 1 e 2.
Classe média fica mais exposta ao juro
A discussão mostra como a fronteira entre habitação popular e classe média se tornou um ponto sensível para o mercado. O comprador que ganha pouco acima de R$ 5 mil, segundo relato levado ao governo, não estaria conseguindo acompanhar os novos preços. Como não há subsídio relevante para compor a entrada nas faixas mais altas, a taxa de juros passa a ter peso maior na prestação e na aprovação do financiamento.
Governo evita sinalizar decisão
O tema foi levado ao ministro das Cidades, Vladimir Lima, durante evento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em São Paulo. Ronaldo Cury, diretor da Cury Construtora, citou a alta de custos e pediu um novo ajuste no programa.
O ministro evitou antecipar uma posição, mas afirmou que o Minha Casa, Minha Vida é um programa dinâmico e está em análise permanente. Também destacou que a taxa de juros do segmento já está no menor nível da história.
*Com informações de Estadão

