O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, apoiado principalmente pelo forte avanço da Vale, em pregão com noticiário corporativo intenso, incluindo decisão da Braskem de pedir recuperação extrajudicial e anúncio entre Yduqse Afya sobre conversas para possível combinação de negócios.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,51%, a 171.906,72 pontos, abandonando a fraqueza dos primeiros negócios, quando recuou a 169.330,39. Na máxima do dia, alcançou 173.109,43 pontos. O volume financeiro somou R$25,33 bilhões.
De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa está em recuperação após as quedas recentes e perto de sair da tendência de baixa. “Porém, até que sejam superados os 173.000 pontos (no fechamento), esse movimento deverá ser interpretado como um repique dentro da tendência principal de baixa”, afirmaram no relatório Diário do Grafista.
Na última sexta-feira, o Ibovespa avançou 1,85%, a 171.031,73 pontos, cravando três altas seguidas e acumulando alta de 2,45% na semana. No mês, porém, o desempenho permanece com sinal negativo. Mesmo com a alta nesta sessão, ainda cai 3,42%.
A pauta da segunda-feira também incluiu pesquisa BTG/Nexus mostrando que a vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno da eleição presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) diminuiu para 1 ponto percentual. Ambos seguem em empate técnico.
Na visão do chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, o levantamento apoiou o tom positivo na bolsa paulista, uma vez que corrobora um cenário de eleição mais acirrada.
Destaques
• VALE ON subiu 2,8%, endossada pelo avanço dos futuros do minério de ferro na China, em meio a novos sinais de estímulo de Pequim e pelas expectativas de uma demanda mais forte antes do pico da temporada de construção, em setembro. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão do dia com alta de 1,27%. CSN MINERAÇÃO ON avançou 1,19%.
• PETROBRAS PN recuou 2,31%, em dia de queda do petróleo no exterior, tendo ainda como pano de fundo o pedido de recuperação extrajudicial da Braskem, na qual a petrolífera divide o controle com a IG4 Capital.
• ITAÚ UNIBANCO PN fechou com acréscimo de 0,34%, em dia positivo para os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN subiu 0,18%, BANCO DO BRASIL ON avançou 0,92% e SANTANDER BRASIL UNIT encerrou em alta de 0,34%.
• YDUQS ON disparou 12,83%, após o grupo de educação informar que mantém tratativas “em estágio inicial” com a Afya para uma possível combinação de negócios envolvendo as empresas.
• BRASKEM caiu 6,71% após divulgar que seu conselho de administração aprovou o ajuizamento de pedido de recuperação extrajudicial da petroquímica e de certas controladas para reestruturar dívidas de cerca de US$10,9 bilhões. O plano inclui uma possível capitalização via oferta de ações. Em linha com o regulamento da bolsa, a B3 informou que as ações da companhia serão excluídas de seus índices após o encerramento do pregão regular da terça-feira.
• USIMINAS PNA saltou 8,7%, tendo no radar nota do colunista Lauro Jardim, de O Globo, de que o acionista controlador Ternium quer fechar o capital da companhia. Procurada pela Reuters, a Ternium não comentou de imediato. CSN ON, que detém ações da Usiminas, avançou 7,72%. Ainda no setor, GERDAU PN perdeu 0,05%.
• SUZANO ON valorizou-se 3%, respaldada por relatório de analistas do Bank of América, que elevaram a recomendação dos papéis para compra ante neutra, bem como o preço-alvo das ações para R$61.
• ONCOCLÍNICAS ON, que não faz parte do Ibovespa, disparou 32,17%, a R$1,52, em sessão na véspera de um julgamento na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de recursos contra o entendimento de área técnica da autarquia sobre a não realização de uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações da companhia.
Dólar
O dólar fechou a segunda-feira em leve alta contra o real, refletindo o fortalecimento da divisa norte-americana ante as principais moedas, enquanto os agentes monitoravam o noticiário geopolítico e eleitoral.
O dólar à vista fechou em alta de 0,23%, aos R$5,1534 na venda.
Às 17h45, o contrato de dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no Brasil — subia 0,24% na B3, aos R$5,1585.
Os agentes aguardaram com apreensão os comentários do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, na busca de mais detalhes sobre as medidas que o país adotaria contra o Irã.
Contudo, em coletiva de imprensa durante a tarde, Bessent se recusou a dizer quais países específicos serão alvo das sanções, ou quando essas sanções entrarão em vigor. O Departamento do Tesouro anunciou novas sanções contra 60 indivíduos, entidades e embarcações, mas essa lista não incluía nenhuma das instituições financeiras chinesas suspeitas de facilitar o comércio de petróleo do Irã.
Nesse contexto, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 98,992.
A divisa norte-americana registrou ganhos contra moedas pares do real, como o peso mexicano, e ante moedas de países desenvolvidos, como o euro e o iene.
No Brasil, um levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão em um cenário de empate técnico em um eventual segundo turno, com Lula com 46% das intenções de voto no segundo turno e Flávio com 45%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
Antes da abertura dos negócios, pela manhã, pesquisa Focus do Banco Central apontou que a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu a 1,95%, de 1,98% na semana anterior. Para 2027 a conta permaneceu em 1,50%.
Nos próximos dias, os agentes ficarão atentos aos dados de inflação e do PIB dos EUA, além do simpósio anual de Jackson Hole, do Fed, para balizar as expectativas de juros, enquanto, no mercado doméstico, cenário fiscal e eleitoral seguirão no foco.

