O Banco Central (BC) cortou nesta quarta-feira, 29, a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. A redução mínima, a segunda consecutiva dessa magnitude, já era esperada e ocorre em um momento de pressão inflacionária no Brasil e no mundo por causa da Guerra do Irã.
O conflito no Oriente Médio foi um dos motivos que levou o BC a optar por um corte menor da Selic na reunião passada e a manter a dose de ajuste agora. O comunicado destacou incertezas quanto à “duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos” e voltou a falar em “serenidade e cautela”, reforçando que os passos futuros para a taxa básica de juros dependem de mais informações sobre a profundidade e efeitos diretos e indiretos da guerra. Logo, não há indicação explícita sobre a trajetória da Selic nos próximos meses. Confira a íntegra do comunicado do BC.
Desde o início da guerra, a projeção do mercado para a inflação medida pelo IPCA no acumulado de 2026 subiu de 3,91% para 4,86%, segundo o boletim Focus. Ao mesmo tempo, ganhou corpo a percepção de que os juros devem cair menos, com expectativa de que a Selic termine o ano em 13%. Em fevereiro, a previsão era de queda para até 12%.
Petróleo e seus derivados, muitos deles insumos das construção civil, são os mais afetados pelo conflito no Oriente Médio. O choque de preços significa para o mercado imobiliário, na prática, aumento no custo de novos empreendimentos e a volta do reajuste do aluguel, uma vez que o IGP-M, índice usado nos contratos de locação, voltou para o terreno positivo em 12 meses.
Dois caminhos distintos chegam à sua parcela
Selic atual
14,50%
ao ano · abr/2026
Caixa (fora MCMV)
11,49%
ao ano + TR (mín.)
Previsão Selic
13%
fim de 2026 · Focus
TR
Indireto
calculada pelo BC via CDBs
Fontes: Banco Central do Brasil, Caixa Econômica Federal, Boletim Focus. Dados de abril de 2026.
A Selic tem repasse mais indireto e diluído ao longo do tempo para o custo do financiamento da casa própria, cuja maior parte das taxas, e especialmente o Minha Casa Minha Vida, já é subsidiada. A redução da Selic, no ritmo atual, deve impactar o mercado imobiliário por duas vias principais:
- No reajuste das parcelas de financiamento pela Taxa Referencial (TR), cujo cálculo inclui a Selic – ou seja, pode no futuro haver redução após o corte da taxa;
- Na dinâmica geral da economia, uma vez que juros menores podem destravar projetos de construção e aumentar lançamentos
Com a perspectiva de que a Selic caia menos do que o esperado no início do ano, o impacto no mercado imobiliário tende a ser limitado neste ano.
Em declarações recentes, executivos da Caixa Econômica Federal indicaram que o banco estatal, principal financiador da habitação, não prevê queda nas taxas de juros em um horizonte próximo, apesar da redução da Selic.
Fora do Minha Casa Minha Vida, a Caixa aplica taxas de juros que vão de 11,49% ao ano + TR (imóveis até R$ 2,25 milhões) ao máximo de 12% ao ano + TR (imóveis acima de R$ 2,25 milhões).
Setor imobiliário pede corte maior da Selic
O setor imobiliário vê o corte da Selic como positiva, mas cobrou novas reduções e em ritmo maior. A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) afirmou, em nota, ser fundamental garantir uma trajetória de queda dos juros mais consistente para destravar o potencial da economia brasileira. “O Brasil precisa encarar o fato de que o custo do capital está no limite. A redução é um sinal de confiança, mas precisamos que os juros atinjam patamares menores, abaixo dos dois dígitos”, afirma o presidente da Abrainc, Luiz França.
Já a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) destacou que, embora o aumento da inflação demande atenção, a taxa de juros continua sendo um dos principais entraves ao avanço do investimento produtivo no Brasil. “O ambiente de juros elevados compromete a capacidade de expansão do setor e reduz o ritmo dos investimentos necessários para sustentar o crescimento econômico do país”, destaca a entidade, em nota.
Perguntas e Respostas sobre a Selic e financiamento imobiliário
Com a Selic caindo, meu financiamento fica mais barato?
A queda da Selic pode reduzir o custo do financiamento ao longo do tempo, mas o repasse é indireto e gradual, especialmente porque muitas taxas já são subsidiadas. Uma possibilidade é pedir a portabilidade de crédito imobiliário, sobretudo de novas quedas da Selic se confirmarem nos próximos meses. Assim, é possível reduzir o custo do financiamento com juro menor.
Quando o financiamento vai ficar mais barato após a queda da Selic?
O efeito não é imediato. A redução pode impactar futuramente as parcelas via Taxa Referencial (TR) e a dinâmica econômica, de forma gradual.
O Minha Casa Minha Vida é afetado pela Selic?
O impacto é menor, pois o programa já conta com taxas subsidiadas, o que reduz a influência direta da Selic nos financiamentos.

