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PL e Republicanos indicaram produtora de ‘Dark Horse’ – 26/05/2026 – Política

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Os diretórios do PL (Partido Liberal) e do Republicanos indicaram a GO7 assessoria, que tem como sócia a produtora do filme “Dark Horse” (o azarão, em inglês), para atuar em campanhas eleitorais em São Paulo, segundo candidatos.

A GO7 recebeu R$ 250 mil para atuar na comunicação de cinco candidaturas desde 2020, incluindo a do deputado federal Mario Frias (PL-SP). Ele foi o único eleito.

A empresa pertence a Karina Ferreira da Gama, que também é sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do “Dark Horse”, longa-metragem sobre Jair Bolsonaro (PL). A revelação de diálogos em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pedia dinheiro ao então dono do Banco Master para o filme abriu uma crise na pré-campanha dele à Presidência.

Segundo Bianca Fanti, que concorreu a vereadora de Guarulhos (SP) nas eleições de 2024 pelo PL, a GO7 foi indicada pelo diretório da sigla para sua campanha.

Já Patrícia Alonso, que pleiteou o mesmo cargo na capital paulista pelo Republicanos em 2020, diz que o partido tocou a campanha com a empresa e que ela teve pouca gerência em relação aos gastos.

Procurada por email, mensagem e por sua assessoria de imprensa, Karina não respondeu aos questionamentos da reportagem.

O PL também não retornou, após ser procurado via assessoria de imprensa. O Republicanos de São Paulo afirmou não ter informação sobre o tema.

A campanha de Bianca Fanti, conhecida como Bibi Fanti, pagou R$ 30 mil para a GO7. Na candidatura de Patrícia Alonso, R$ 13 mil foram repassados à empresa de Karina para serviços de assessoria de comunicação.

O maior valor (R$ 141 mil) foi repassado à GO7 pela campanha do tenente Manoel Nascimento, ex-deputado estadual de São Paulo, que concorreu a vereador na capital paulista em 2024, pelo Republicanos.

Nas eleições de 2022, Karina trabalhou para dois candidatos do PL em São Paulo. Um deles foi Felipe Carmona, que pagou R$ 13 mil para a GO7 no pleito para deputado estadual. O outro foi Mario Frias, cuja campanha repassou R$ 54 mil para a empresa.

Os pagamentos realizados durante as eleições para as empresas de Karina constam no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Patrícia Alonso afirma que teve pouca gerência em relação aos gastos com a GO7, mas que gostou do trabalho da empresa de Karina.

Em nota, o escritório de advocacia Taveira e Romão, que representa Bibi Fanti, diz que não havia vínculo prévio ou pessoal entre a GO7 e a candidata. Segundo o escritório, a contratação foi acompanhada juridicamente e observou as normas da legislação eleitoral vigente.

Já Felipe Carmona disse conhecer Karina desde 2019 e que não houve orientação do PL sobre a sua contratação. Ele afirma ainda que, caso se torne candidato a deputado estadual neste ano, contratará a produtora novamente.

Procurados às 12h de quinta-feira (21) por mensagem, a assessoria do deputado Mario Frias e o ex-deputado Tenente Nascimento não responderam à reportagem.

Como mostrou a Folha, apesar de Flávio ter dito haver “zero de dinheiro público”, outros parlamentares federais e estaduais já fizeram repasses para empresas e entidades ligadas a Karina. Deputados estaduais de São Paulo destinaram emendas que somam R$ 700 mil entre 2023 e 2026.

O Instituto Conhecer Brasil, ONG que tem Karina como presidente, também recebeu R$ 2 milhões em emendas de Mario Frias em 2025, para projetos de letramento digital e esporte.

O Instituto Conhecer Brasil também firmou contrato com o Governo do Distrito Federal após vencer um chamamento público da Fundação de Apoio à Pesquisa, em 2023.

O valor total do termo previsto inicialmente era de R$ 4 milhões, para apoiar um projeto de “cultura maker” na rede pública do DF. O objetivo do projeto é permitir que os alunos criem, consertem e modifiquem objetos em um laboratório nas escolas. No início de 2025, houve um aditivo de R$ 1 milhão, totalizando R$ 5 milhões investidos no contrato com o ICB.

O projeto está em andamento há dois anos sob queixa dos professores do DF, segundo relatório técnico do governo.

Os docentes reclamam da gestão do ICB, da falta de acompanhamento da ONG de Karina na execução dos projetos e da ausência de retorno de técnicos do ICB para problemas detectados.

Entre os recursos comprados com o valor repassado à ONG estavam as impressoras 3D. Mas, segundo relatório das visitas técnicas, parte das impressoras nunca havia sido utilizada devido ao mau funcionamento, sem retorno do corpo técnico do ICB. Os professores também reclamam da falta de treinamento para uso da impressora.

Procurado por email às 11h46 de quinta, o Governo do Distrito Federal ainda não respondeu aos questionamentos da reportagem.

O Conhecer Brasil também firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para receber R$ 108 milhões para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda.

À Folha Karina havia afirmado que a contratação pela prefeitura se deu de maneira regular, sem ligação com o “Dark Horse”, assim como os recursos de emendas parlamentares.

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