Os preços do petróleo ficaram quase 3% mais altos nesta segunda-feira (11), depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o cessar-fogo com o Irã estava por um fio, deixando o Estreito de Ormuz praticamente fechado, sem um fim claro à vista para a guerra.
Os futuros do Brent fecharam em alta de US$ 2,92, ou 2,88%, a US$ 104,21 por barril. O petróleo West Texas Intermediate fechou a US$ 98,07 por barril, com alta de US$ 2,65, ou 2,78%.
O Brent atingiu uma máxima de US$ 105,99 na sessão e o WTI atingiu um pico de US$100,37.
Dias depois que Washington lançou uma proposta com o objetivo de reabrir as negociações, o Irã divulgou no domingo uma resposta focada em acabar com a guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, onde Israel, aliado dos EUA, está lutando contra militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã.
Teerã também exigiu compensação pelos danos causados pela guerra, enfatizou sua soberania sobre o estreito e pediu aos EUA que acabassem com o bloqueio naval, garantissem que não haveria mais ataques, suspendessem as sanções e retirassem a proibição das vendas de petróleo iraniano.
Em poucas horas, Trump rejeitou a oferta de Teerã em uma publicação na mídia social como “totalmente inaceitável”.
“A narrativa mudou novamente de desescalonadora para escalonadora em questão de poucos dias, e os mercados de petróleo responderam a isso — embora de forma modesta”, disse Florence Schmit, estrategista de energia do Rabobank.
Dólar
Em uma sessão de liquidez limitada, o dólar oscilou em margens estreitas e fechou perto da estabilidade, ainda que no exterior a divisa norte-americana tenha sustentado ganhos ante algumas divisas de países emergentes, após os EUA rejeitarem a resposta do Irã à proposta de paz norte-americana.
O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,10%, aos R$4,8911. Esta é a menor cotação desde 15 de janeiro de 2024, quando a moeda norte-americana encerrou em R$4,8667. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,89% ante o real.
No fim da manhã, o BC vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.
Às 17h14, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,05%, a 97,961.
Ibovespa
O Ibovespa fechou em queda pressionado por ações sensíveis a juros e com a nova alta do preço do petróleo, reforçando preocupações com a inflação e os próximos passos do Banco Central.
A temporada de resultados também ocupou as atenções, mas nem os números robustos do BTG Pactual evitaramo fechamento negativo de suas units, enquanto as ações da Telefônica Brasil figuraram entre as maiores baixas após lucro aquém das expectativas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,19%, a 181.908,87 pontos, mínima de fechamento desde 27 de março. Ao longo da sessão, chegou a 181.614,83 na mínima e marcou 184.530,15 na máxima.
O volume financeiro do pregão somou R$29,19 bilhões.
A bolsa paulista continua registrando saída líquida de estrangeiros, com o saldo nos primeiros pregões de maio negativo em R$3,3 bilhões, de acordo com dados da B3 até o dia 7.
Em abril, ainda houve entrada líquida de quase R$3,2 bilhões (excluindo follow-ons e IPOs). Mas, até o dia 15, esse saldo era de R$14,6 bilhões.
“Diminuiu de fato um pouco esse fluxo de estrangeiros, mas eu acho que o Brasil, geopoliticamente, ainda oferece uma oportunidade enorme de investimentos” afirmou nesta segunda-feira o diretor financeiro do BTG, Renato Cohn, em conversa com jornalistas para comentar o balanço do primeiro trimestre, ressaltando, porém, que o mercado brasileiro e as empresas brasileiras são muito convidativas para o investidor estrangeiro. “Eu acho que isso ainda continua”, afirmou.
“Parece que a aversão aos EUA diminuiu”, afirmou o gestor de uma empresa de previdência complementar, ressaltando também que, desde o inícioda guerra, com a revisão nas previsões de inflação para cima, a perspectiva de intensidade de queda da Selicreduziu e alterou o cenário mais favorável ao Brasil.
Destaques
• BTG PACTUAL UNIT caiu 2,88%, mesmo após reportarbalançodo primeiro trimestre comnovos recordes de lucro e receita, enquanto oretorno sobre patrimônio (ROAE) ficou em 26,6%. Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo do maior banco de investimentos da América Latina disse que está otimista com as tendências observadas no mercado de ações brasileiro, enquanto enxerga um mercado de dívida corporativa ainda fraco no segundo trimestre. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 2,25%, BRADESCO PN perdeu 2,69%, BANCO DO BRASIL ON, que divulga balanço nesta semana, recuou 1,19%eSANTANDER BRASIL UNIT fechou em baixa de 2,52%.
• TELEFÔNICA BRASIL ON recuou 6,1%,após a empresa de telecomunicações que opera sob a marca Vivo reportarlucro líquidode R$1,26 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 19,2% ano a ano, mas abaixo das expectativas do mercado. Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo da companhia disse que a empresa poderia aumentar os preços no segmento do plano pré-pago pois continua observando espaços para aumento, bem como deve apresentar uma melhora nas vendas de cobre para o segundo trimestre em diante devido a uma pausa causada por mudanças tributárias.
• C&A ON desabou 7,69%, em sessão negativa para ações sensíveis a juros, com as taxas dos DI fechando também em alta. COGNA ON recuou 6,38% e LOCALIZA ON cedeu 5,73%. O índice de consumo da B3 encerrou com declínio de 3,08%.

