O Governo da Colômbia e a Federação Nacional dos Cafeicultores (FNC) assinaram nesta quinta-feira (2) a prorrogação, por cinco meses, do contrato de administração do Fundo Nacional do Café (FoNC), uma decisão que garante a continuidade dos programas financiados com recursos parafiscais enquanto o próximo governo define o novo acordo de longo prazo para o principal instrumento de apoio à cafeicultura colombiana.
Com a assinatura do acordo, a Federação continuará administrando o Fundo, como faz historicamente, evitando um vazio institucional em um momento em que o contrato vigente estava prestes a expirar. A decisão também transfere para a próxima administração a negociação do novo modelo de gestão, após várias semanas de conversas entre o governo e a entidade representativa dos cafeicultores. “O acordo é uma demonstração da confiança institucional que permanece há quase nove décadas”, afirmou o gerente-geral da Federação, Germán Bahamón, após a assinatura da prorrogação.
O Fundo Nacional do Café é financiado por uma contribuição parafiscal equivalente a seis centavos de dólar por libra de café verde exportada. Considerando a cotação atual, isso corresponde a aproximadamente US$ 0,06 (R$ 0,33) por 0,4536 quilograma de café verde exportado. O fundo financia programas de assistência técnica, pesquisa, comercialização, promoção internacional e bens públicos destinados às regiões produtoras de café. Segundo a Federação, o acordo garante a continuidade dos programas que beneficiam diretamente mais de 560 mil famílias produtoras de café no país.
A decisão ocorre em um momento especialmente desafiador para o setor. A cafeicultura enfrenta uma redução na produção, enquanto a forte valorização do peso colombiano diminuiu a receita dos exportadores em moeda local, ao reduzir o valor das vendas externas quando convertidas de dólares para pesos. Soma-se a isso a volatilidade dos preços internacionais e o aumento dos custos de produção, fatores que reduziram as margens de rentabilidade de muitos produtores.
Nesse contexto, manter o funcionamento do Fundo Nacional do Café ganha importância ainda maior. Durante a última década, os recursos administrados pela Federação financiaram 147 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 203 milhões) para a promoção do café colombiano, 270 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 373 milhões na cotação atual) em pesquisa científica, 599 bilhões de pesos colombianos (R$ 828 milhões) em projetos de investimento social, 1,3 trilhão de pesos colombianos (R$ 1,8 bilhão) em assistência técnica e 4,5 trilhões de pesos colombianos (R$ 6,2 bilhões) destinados a bens públicos voltados à cafeicultura e a serviços institucionais.
A assinatura da prorrogação também coincide com o início do processo eleitoral da cafeicultura colombiana, por meio do qual os produtores escolherão seus representantes municipais e departamentais, além do começo das comemorações do centenário da Federação Nacional dos Cafeicultores, fundada em 1927.
Publicado originalmente em Forbes Colômbia

