O centro de São Paulo entrou em uma nova fase de investimentos em retrofit impulsionada por incentivos públicos e pela busca de incorporadoras por ativos com potencial de requalificação. A Prefeitura aprovou R$ 69,5 milhões para 31 projetos de subvenção econômica, dentro de R$ 400 milhões disponibilizados em editais de 2023, 2024 e 2025.
A meta municipal segue ambiciosa diante da execução: liberar R$ 1 bilhão até 2027. O programa pode bancar até 25% do custo das obras e se soma ao Requalifica Centro, que concede benefícios por meio de isenção ou redução de IPTU, ITBI e ISS.
Copan e Telesp puxam a vitrine
Entre os projetos contemplados, o maior valor aprovado até agora foi para o Edifício Copan, que deve receber R$ 13,4 milhões para restaurar a fachada projetada por Oscar Niemeyer. O pagamento ainda não foi feito e deve ocorrer em cinco parcelas, conforme o avanço das obras. O edifício foi contemplado por atender critérios como tombamento, fruição pública, fachada ativa e uso racional de água.
Outro caso de destaque é o Basílio177, retrofit da antiga sede da Telesp. O projeto recebeu aprovação para R$ 2,3 milhões, dos quais R$ 1,1 milhão já foram pagos, e transformará o edifício corporativo em 274 apartamentos, com unidades de 35 m² a 130 m² e VGV esperado de R$ 280 milhões.
Na Rua Sete de Abril, 342, a LAF Incorporadora fará a requalificação de um edifício de 1950 construído por Ezio Martinelli. O imigrante italiano é bisavô dos sócios da incorporadora. As salas corporativas serão transformadas em 102 apartamentos, de 31 m² a 53 m².
Mercado vê oportunidade no centro
A requalificação também se apoia na valorização da região. Segundo pesquisa da Loft feita a pedido do Estadão, o preço do metro quadrado no centro de São Paulo subiu 13,1% nos últimos quatro anos, enquanto o número de transações avançou 16%.
Nesse ambiente, empresas como Citas, Ilion Partners, Planta Inc., Metaforma e LAF ampliam projetos residenciais em edifícios antigos. A Citas já garantiu mais de R$ 13 milhões em subsídios, enquanto a Planta Inc. tem cinco projetos aprovados e deve receber mais de R$ 12 milhões nos próximos anos.
Uso final das unidades preocupa
Urbanistas veem o retrofit como política urbana, não apenas imobiliária, por combinar recuperação de patrimônio, adensamento residencial e menor impacto ambiental. Ainda assim, o avanço dos projetos levanta alertas sobre diversidade social, moradia permanente e possível gentrificação da área.
A crítica central é que parte das unidades incentivadas pode ser absorvida pelo mercado de investimento e direcionada à locação de curta ou média temporada. Para especialistas, o desafio será equilibrar capital privado, preservação urbana e acesso real à moradia no centro.
*Com informações de Estadão

