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Passaporte Brasileiro É o Segundo Mais Poderoso da América Latina, Aponta Índice

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Ter um passaporte que permite entrar em dezenas de países sem visto continua sendo um dos principais indicadores de força de um documento de viagem. Mas, cada vez mais, rankings internacionais também levam em consideração fatores como oportunidades de investimento, ambiente econômico e qualidade de vida do país emissor.

Nesta terça-feira (30) foi divulgado o Global Passport Index 2026 da Global Citizen Solutions (GCS)  — estudo que ranqueia passaportes de 199 países com base em três dimensões: mobilidade (destinos com isenção de visto e visto na chegada), atratividade de investimentos (ambiente tributário, credenciais de inovação e competitividade econômica) e qualidade de vida (saúde, segurança, clima e infraestrutura social). E o documento brasileiro ocupa uma posição de destaque, mas ainda deixa espaço para crescer. 

O Brasil aparece na 49ª posição global e na segunda colocação entre os países da América Latina, com pontuação geral de 82,4 pontos em um total de 100. O único passaporte latino-americano à frente é o chileno, com 83,1 pontos.

O desempenho se sustenta pela alta mobilidade de viagens e índices de qualidade de vida, enquanto o avanço no ranking mundial é contido pelos indicadores de oportunidades econômicas e de investimento.

Pontos fortes

Entre as principais vantagens do passaporte brasileiro está a mobilidade. O país detém a maior pontuação do continente americano, alcançando a 43ª posição global com nota 90,7. Segundo o estudo, o desempenho é resultado da política de reciprocidade diplomática. Por exemplo, a reintrodução do e-Visa para cidadãos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, oficializada de forma permanente em janeiro de 2026, foi estendida também a nações como México, França e Argentina.

Em paralelo, o Brasil ainda conquistou novos acessos diplomáticos. Além da isenção mútua de vistos de 30 dias estabelecida com a China em maio de 2026, o país implementou, em fevereiro, a entrada sem visto para portadores de passaportes comuns de oito países — incluindo Irlanda, Dinamarca, Hungria, Jamaica, Santa Lúcia e Bahamas.

Por outro lado, o relatório alerta que a implementação do sistema ETIAS na Europa pode adicionar custos. Esse novo sistema é uma autorização eletrônica prévia da União Europeia (UE) que passará a ser exigido de brasileiros — e demais viajantes isentos de visto — antes do embarque para países do bloco. Não se trata de um visto, mas de uma etapa adicional com taxa e cadastro online. A implementação está prevista para o fim de 2026, embora a política já tenha passado por diversos adiamentos.

Para Patricia Casaburi, CEO da Global Citizen Solutions, o cruzamento de dados do índice evidencia a maturidade da posição brasileira no cenário internacional. “A política de reciprocidade garante ao Brasil uma mobilidade robusta, configurando o passaporte como um ativo diplomático consolidado”, diz a executiva. Ela pondera, porém, que o avanço do país nas próximas edições dependerá de alavancas econômicas e ajustes na carga tributária. “Isso porque o pilar de acesso a destinos internacionais encontra-se próximo do limite de expansão sem a formulação de novos acordos bilaterais estratégicos”, comenta.

Métricas

Impulsionando o Brasil

Na avaliação de qualidade de vida, o Brasil atinge a 37ª posição global com nota 75, ancorado pelos índices de custo de vida e de satisfação pessoal — ambos na 36ª colocação mundial.

O desempenho ambiental e o progresso em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representam as variáveis mais modestas do país nessa dimensão, nas 53ª e 63ª posições, respectivamente, ainda que superem a média regional.

Apesar dos desafios, o Brasil tem apresentado uma evolução positiva nos últimos cinco anos. A Renda Nacional Bruta per capita utilizada no modelo evoluiu de US$ 14.900 (R$ 77.064) para US$ 18.900 (R$ 97.752). De acordo com a pesquisa esse é um indicativo de que, com avanços nas alavancas econômicas, o passaporte brasileiro tem espaço para subir mais no mapa global.

Pontuação Brasileira

Economia puxa o freio

Enquanto a mobilidade impulsiona o desempenho brasileiro, os indicadores econômicos ainda impedem uma colocação mais elevada no ranking, padrão observado em boa parte da América Latina.

No pilar de investimentos, o Brasil registra a 81ª colocação mundial, com nota 43,9, mantendo ainda assim a segunda melhor marca da América Latina, atrás apenas da Guiana.

O desmembramento dos componentes revela um desempenho intermediário no acesso a mercados (50ª posição global) — e na riqueza financeira (78ª posição), com o Brasil registrando o melhor índice de inovação entre as grandes economias latino-americanas.

Os principais limitadores para a atratividade do país, segundo o estudo, são a tributação sobre a pessoa física (89ª posição), com alíquota base de 27,5% — e a Renda Nacional Bruta per capita, na 85ª colocação.

Últimos 5 anos

Metodologia

A metodologia opera sob um sistema de classificação comparativa. Na prática, a posição de um país depende do comportamento do ecossistema global. Mesmo que um passaporte registre melhora em seus indicadores de mobilidade, investimento e qualidade de vida, ele pode perder posições caso outras nações evoluam de forma mais rápida ou novos mercados comprimam a concorrência no topo da lista.

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