O Bradesco está reforçando o crédito a incorporadoras como forma de sustentar a originação da pessoa física, especialmente nos segmentos de média e alta renda. A carteira do Plano Empresário, usada para financiar a incorporação imobiliária, encerrou 2025 em R$ 37 bilhões, alta de 31% em relação ao ano anterior. A expectativa do banco é chegar ao fim do primeiro semestre com R$ 40 bilhões, o dobro do volume registrado cinco anos atrás. O avanço não inclui o Minha Casa, Minha Vida, nicho em que a instituição não atua.
Apetite segue, mas com seleção de clientes
Mesmo com juros elevados e demanda mais restrita, o banco afirma que não pretende reduzir o apetite para incorporadoras que mantêm relacionamento com a casa. A estratégia, porém, não significa crédito “a mar aberto”, segundo reportagem do Metro Quadrado.
A aprovação passa por análise técnica do empreendimento, incluindo precificação, tipologia e aderência à região, além da avaliação de crédito da incorporadora.
Como a linha tem ciclo médio de cerca de dois anos, mais curto que o financiamento para pessoa física, o capital pode ser reciclado com maior frequência e menor exposição ao risco.
Estoques seguem em patamar considerado saudável
Na leitura do Bradesco, destacada pelo Valor, o setor imobiliário atravessa o atual ciclo de juros altos em condições melhores do que em momentos anteriores. Dados citados pelo banco mostram 466,8 mil unidades lançadas no país no acumulado de 12 meses até março, alta de 5,6%, e 438 mil unidades vendidas, avanço de 3,6%. O estoque disponível subiu 8,1%, para 350,9 mil unidades, mas o prazo de escoamento ficou em 9,6 meses, patamar visto como saudável. Na crise de 2015 a 2017, o prazo chegou a quase 27 meses.
Médio e alto padrão perdem ritmo, sem excesso de oferta
O desempenho, porém, é desigual. Em São Paulo, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 65% das vendas e 62% dos lançamentos de imóveis novos em 12 meses até março. O prazo de escoamento foi de sete meses. Nos demais segmentos, que incluem médio e alto padrão, as vendas caíram 13% e o prazo de escoamento chegou a 12 meses.
Ainda assim, os executivos do Bradesco avaliam que não há excesso de oferta. Segundo eles, as incorporadoras vêm segurando lançamentos e priorizando os melhores projetos até que demanda e preço se equilibrem.
Crédito à pessoa física segue resiliente
Do lado do comprador final, o banco também não vê deterioração relevante na carteira. O crédito imobiliário segue associado à moradia, conta com garantia real e tende a ser priorizado pelo tomador mesmo quando há pressão em outras modalidades. A carteira de aquisição de imóveis por pessoas físicas cresceu 11% em 2025, para R$ 110 bilhões.
Para o Bradesco, vários fatores mantém o setor em posição mais confortável, apesar do alto custo do crédito. Entre eles a demanda habitacional estrutural, incorporadoras menos alavancadas, landbanks mais organizados e inadimplência próxima aos padrões históricos.
Com informações de Metro Quadrado e Valor Econômico

